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Posts de Maio, 2006
Sem enganação
Maio 10, 2006Esperanto, a língua sem pátria
Maio 10, 2006Há tempos estava querendo postar algo sobre o Esperanto. A falta de tempo só me fez adiar este dia, mas hoje finalmente sai!
Estou fazendo um mini curso de Esperanto. O curso está acontecendo na própria UFES e é ministrado por um dos meus professores da engenharia elétrica, (Wilson Aragão Filho) entre outros. Esperanto é uma língua fácil, pois foi criada para ser assim. O Esperanto não possui pátria, pois não pertence à nenhum país específico, é uma língua do mundo.
Pode-se aprender Esperanto até mesmo sozinho com a ajuda apenas de um livro ou de um software para computador. É impressionante como depois de 1ª lição já é possível ler um texto em Esperanto sem cometer nenhum erro na pronúncia e entender algumas regras do idioma, o que é impossível no estudo de outros idiomas. Tá bom, eu sei que provavelmente o Esperanto não irá alcançar seu maior objetivo que é se tornar a 2ª língua de todos os povos, mas é sempre bom aprender coisas novas. Além disso, acredito que o estudo do Esperanto possa abrir a minha mente para o estudo de novas línguas, além do inglês, num futuro próximo, e o fato de poder me comunicar com pessoas de qualquer parte do mundo sem me obrigar a conhecer todas a línguas e dialetos existentes o torna bastante interessante para mim.
Abaixo segue um artigo que foi publicado no jornal A Gazeta sobre o Esperanto.
O IDIOMA MAIS NATURAL
Todos os idiomas do mundo são artificiais! Independentemente de serem étnicos ou terem sido planejados por alguém, todo idioma é uma criação artística da mente humana. Um idioma étnico somente aparenta ser “língua natural” devido à sua evolução natural. No entanto, tais idiomas, justamente por essa evolução natural, desenvolveram características lingüísticas muito pouco naturais… As variações fonéticas de uma mesma letra, o excesso de rigor na ordem das palavras na frase, os verbos irregulares, o excesso ou falta de acentuação das palavras, a falta de lógica na sua formação, tornaram as línguas étnicas muito difíceis de serem perfeitamente dominadas, até mesmo pelos seus falantes nativos.
Pode-se perguntar se tais dificuldades de um idioma étnico não poderiam ter sido superadas pelas suas respectivas academias lingüísticas. Excetuando-se pequenas intervenções, as academias pouco puderam fazer: os idiomas étnicos permanecem marcados por características de complexidade, ilogicidade e rigorismos gramatical e morfológico.
Essas últimas características não desqualificam ou desmerecem qualquer idioma! Este é como uma obra-de-arte: sempre se pode apreciar sua beleza! Para o estrangeiro, no entanto, tais dificuldades são uma barreira quase intransponível. E para as relações internacionais? A solução definitiva é a decisão racional pela utilização de uma língua planejada, estruturada para ser internacional: simples, lógica, flexível e etnicamente neutra – a segunda língua para todos os povos! Esta língua já existe há mais de um século: é o Esperanto, idioma iniciado pelo médico e lingüista polonês L. L. Zamenhof. Este é o idioma mais “natural”, porque elaborado para atender à natureza universal da mente humana que requer lógica, simplicidade, coerência, assimilação generalizadora, flexibilidade.
Por que o mundo, que tanto necessita de uma verdadeira língua internacional, étnica e politicamente neutra, ainda não o adotou? A resposta, de uma maneira simples, está associada a características “naturais” do ser humano: inclinação a um conservadorismo exagerado e a preconceitos mais ou menos inconscientes.
Somente a adoção mundial de um idioma planejadamente internacional, como o Esperanto, poderá vencer a barreira das línguas, definitivamente, num mundo que se quer globalizado. Para os que quiserem aprender o Esperanto: Curso Básico na UFES, prédio IC I, segundas e quintas, das 19h às 20h30min.
Wilson Aragão Filho
Prof. na UFES e presidente do Clube Capixaba de Esperanto; aragao@npd.ufes.br
Publicado no Jornal A Gazeta – Vitória – ES, em 24/abril de 2006 (Coluna Opinião).